Edição 2008

Dia 5 de novembro o Teatro Nacional de Brasília abriu as suas portas para convidados. Foi a abertura do 4º Festival CARA E CULTURA NEGRA. Entre estudantes da rede pública do Distrito Federal, autoridades, Corpo Diplomático, produtores e amantes da cultura estiveram presentes nos diversos momentos dessa programação aproximadamente 2 000 pessoas, que prestigiaram o desfile de modas – KANIMANDO -, assistiram aos vídeos educativos, à exposição internacional de Fotografia, ouviram os pronunciamentos oficiais e, por último, na Sala Villa-Lobos, encantaram-se com o Balé Folclórico da Bahia.

Kanimando

Em busca das raízes culturais a Beleza ao alcance de todos. Durante um semestre alunos da Faculdade de Moda AD1, sob a coordenação do professor Walter , pesquisaram a influencia africana na nossa moda, no nosso modo de vestir, de se pentear. O resultado todos puderam ver. 15 modelos da agência SCOULTING desfilaram as cores, as texturas, a beleza com fortes influências do continente africano e todo um jeito brasileiro.

Vídeos Educativos;

Mostra Internacional de Fotografia - Seis fotógrafos, dois americanos, dois holandeses,um suíço e uma brasileira compareceram ao evento.

Abertura Oficial;

Balé Folclórico da Bahia;

O 4º FESTIVAL Cara e Cultura Negra, realizado no período de 05 a 20 de novembro, no TEATRO NACIONAL CLAUDIO SANTORO e na Praça Zumbi dos Palmares, presenteou Brasília com uma grande mostra temática onde foram apresentadas ao público algumas das principais marcas culturais afro-brasileiras e toda a sua importância na construção da nação Brasil, bem como promoveu importantes momentos de celebração e reflexões acerca da realidade vivenciada por milhões de afrodescendentes e sobre políticas publicas de promoção e igualdade racial. A apresentação dessas marcas identitárias deu-se por meio das seguintes ações:

EDUCAÇÃO GASTRONOMIA FOTOGRA FIAMUSICA DANÇA

1. Mostra Educacional

Dividida em 21 ESPAÇOS - salas temáticas - com aproximadamente 200 painéis ilustrativos (100x200cm) que apresentaram desde a história do continente Africano, dos seus 53 países, até os dias atuais, passando pelos momentos mais importantes da nossa história, dos personagens que a construíram, até os dias atuais.

Apresentou as políticas públicas, o centenário de Solano Trindade (Ver CD), e desenvolveu os seguintes painéis | temas:

1)AFRICA VENTRE FÉRTIL DO MUNDO

A história do continente africano, sua cultura, sua musica e apresentação dos 54 países.

2)Povos africanos que formaram a cultura do Brasil
3)Contribuição da raça negra para a formação da
nação Brasil.
4)Contribuição na Dança;
5)Contribuição nas Artes;
6)Contribuição na Língua Portuguesa;
7)Contribuição na Moda;
8)Contribuição na Culinária;
9)Contribuição nos Esportes;
10)Contribuição para o conhecimento científico e
tecnológico universal;
11)Negros de Expressão
12)Religião
13)Mercado de Trabalho
14)Políticas Publicas
15)Conhecimentos Gerais
16)Mulheres Negras do Brasil
17)Arquitetura
18)Solano Trindade – O poeta do Povo
19)120 anos de uma abolição inconclusa
20)Diáspora Africana – Travessias Femininas
21)SOLANO TRINDADE - Centenário

Todos aqueles que foram ao Foyer da Sala Villa - Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro,
puderam apreciar a obra de Solano Trindade no centenário do seu nascimento.

As situações presentes no cotidiano de milhares de brasileiros até hoje, tornam os textos do “Poeta do Povo” incontestavelmente atuais e fazem do centenário deste artista mais que uma data comemorativa.

Divulgar a obra de nossos poetas é também um dos objetivos do projeto CARA E CULTURA NEGRA que tem uma bela oportunidade para exercer essa sua função primordial.

b)Visitas Guiadas

c)Apresentação de Vídeos Educacionais – 11 vídeos educacionais.

"A exposição Diáspora: movimentos, adaptações e transformações produzida para o 20 de novembro, dia da consciência negra, dia em que afirmamos a nossa história de luta e resistência simbolizada pela figura de Zumbi, foi de grande importância para as várias turmas de alunos que visitaram a exposição, assim como para os vários visitantes que puderam conhecer mais sobre culturas apagadas da história pelo eurocentrismo dominador que se impõe a mais de cinco séculos.

A parceria do Cara e Cultura Negra com o SINPRO (Sindicado dos professores) foi uma iniciativa
essencial para se cumprir a lei 10.639. A primeira parte da exposição altamente didática com uma quantidade impressionante de informações sobre o legado cultural e científico do continente africano para o resto do mudo, atesta a qualidade da iniciativa.

Durante o tempo que trabalhei na exposição como professor, pude constatar a emoção das pessoas em descobrir conhecimentos que tinham sido omitidos, de poder entender melhor o que é o Brasil, que somo herdeiros de mais do que imaginamos e precisamos revisitar a história para poder melhor analisar o presente".
Wesley Pereira – Professor e Guia das Exposições

d)Apresentação do Livro Gula D'Africa - Em parceria com a Editora Senac, e com o apoio das diversas Embaixadas Africanas sediadas em Brasília foi re-lançado o livro Gula D'Africa, primeiro volume.

e)Realização do Circuito da Gastronomia África Brasil - Realizado em parceria com o SINDHOBAR, com a participação de 08 restaurantes da cidade – Carpe Dien, Acarajé da Rosa, Esquina Mineira, Lagash, Restaurante Oliver, Café Eldorado;

f)Oficinas

Musicalmente o Festival priorizou a Percussão,mostrando toda a riqueza de ritmos brasileiros
através das oficinas de Peu Meurrey de Salvador e Babilak Bah de Belo Horizonte.

Oficina de Percussão de Peu Meurrey – 30 alunos

Oficina de Percussão de Babilak Bah – 30 alunos

Oficina de Maquiagem

Oficina de Penteados

Oficina de Acessórios

PEU MEURRAY

Com a Oficina Pneumática Musical, dentro da programação do Cara e Cultura Negra, o músico
mostrou como aproveitar materiais recicláveis e pneus para construir instrumentos musicais, móveis para casa e falou sobre a musicalidade atual, novas timbragens, performances musicais, ecologia e a preservação do Meio Ambiente.

Como resultado final da oficina foi feita uma pequena apresentação dos participantes.

BABILAK BAH

A o f i c i n a “ E N X A D I GMA – O F I C I N A MULTIDISCIPLINAR DE ARTE” foi um dos pontos
altos na participação desse poeta e escritor paraibano no Cara e Cultura Negra 2008. O Foyer
da Sala Villa Lobos transformou-se em um grande espaço coletivo de experimentações sonoras
utilizando objetos variados, com ênfase sempre nas ferramentas “enxada”, sucatas, pequenos efeitos e o silêncio.

g) Palestras

a)A contribuição do Negro na Construção da Identidade Brasileira

b)Políticas Públicas – O sistema de Cotas, a Lei 10.639/2003

c)A Influencia Africana na Moda Brasileira – Ministrada pelo Professor Sergio Ferreira.

h) DESFILE DE MODAS

Realizado em parceria com a Faculdade de Modas AD1.

CABELOROSTOCORPOHOMEM MULHER INFANTIL ACESSÓRIOS ROUPA
ÉTICAESTÉTICAMEIO AMBIENTEIGUALDADE RAÇA BRASIL

Em busca das raízes culturais a Beleza ao alcance de Todos

Kanimando significa Deslumbrante!

Esta é a palavra que melhor define a criatividade do povo brasileiro, em toda a sua beleza e diversidade cultural, racial e social, que se traduz no seu falar, no seu comer, no seu vestir.

A 1ª SEMANA BRASILIENSE DE MODA E BELEZA DA RAÇA NEGRA foi uma rara oportunidade de conhecermos melhor essa brasilianidade de se vestir e se embelezar.
Durante uma semana Brasília sediou um encontro sobre a moda e a beleza da raça negra, sob a coordenação da Faculdade de Moda AD.
A diversidade de cores, texturas, as particularidades dessa etnia e dos vários grupos que ela representa foram apresentadas por empresas de moda, por artesãos, por professores e universitários, e acompanhada por curiosos e amantes da beleza singular brasileira.
Durante cinco dias o pôde-se participar de oficinas, assistir à apresentações, palestras que apresentaram ao público da capital as inúmeras alternativas nos processos de criação da moda afro brasileira; as linguagens diferenciadas, dos desenhos e dos corpos, melhor definidas como variações simbólicas na Terra do Sol e da explosão de cores.
As palestras, divididas em História da moda Africana, Moda Afro brasileira e estética negra, apresentaram a história da moda, desde o continente africano, seus grafismos e significados, suas estamparias, até os dias atuais, da produção da diáspora africana no mundo e em solo brasileiro e os últimos lançamentos da indústria da cosmética para essa etnia.
Uma verdadeira revolução de costumes e os longos caminhos para a auto valorização e auto aceitação da beleza da raça negra brasileira.

i) Mostra de Artes Plásticas – JOSAFÁ NEVES – SERNEGRO.

A exposição SERNEGRO, do artista plástico Josafá Neves, com curadoria de SERGIO
FERREIRA homenageou o mês da consciência negra. Momento de celebração afro-brasileira presente no IV Cara e Cultura Negra, Josafá permanece fiel aos valores culturais, estabelecidos com os substratos de africanidades aqui traduzidos em afrobrasileiros ou afro-decendentes, materializando um sentido de negritude intrinsecamente presente nas composições que juntas são um verdadeiro panorama metafórico do que é SERNEGRO.

J) Mostra Fotográfica Internacional Entre as principais atrações do Festival Cara e Cultura Negra deste ano a Mostra Internacional de Fotografia trouxe à Brasília 07 fotógrafos que apresentaram seus últimos trabalhos de resgate e reconhecimento das culturas africanas e afrobrasileiras.
A mostra “No Coração da África” foi realizada no mezanino da Sala Villa-Lobos. Contou com 6 fotógrafos com cobrem o dia a dia do continente africano e o resultado das andanças e dos olhares atentos em várias regiões, como Mali, Erithea, Etiópia, África do Sul, dentre inúmeras outras pôde ser conferido.
Museus na Suíça e em outros países. Tem inúmeros livros lançados.
site www.boazrottem.com

“BOAZ ROTTEM

'De terras muito distantes esses rostos e olhos que nos guardam são de homens e mulheres contemporâneas. Eles querem nos falar que ainda hoje, em pleno século XXI, ainda existem sociedades que nada sabem sobre a tal globalização'.
O fotógrafo BOAZ ROTTEM fez parte da galeria dos grandes fotógrafos da atualidade que se apresentaram na Mostra Internacional. O ensaio de Boaz foi realizado em povoados e grupos étnicos da Etiópia.

STEVE EVANS

Cada imagem “do Coração da África, Alma da África” é uma janela no coração e na alma da África, apresentando desde as fotografias dos fortes utilizados pelos escravos do oeste da África ao nascer majestoso do sol e os ocasos da África ao sul e ao centro.

VICENT DE GROOT


j) Apresentações Artísticas

O 4º CARA E CULTURA NEGRA contou com importantes artistas locais, nacionais e internacionais vindos de diversos pontos da África e suas diásporas.
Onze bandas nacionais representando os estados da BAHIA , Minas Gerais, Paraíba, São Paulo, e o Distrito Federal, e duas Bandas Internacionais, do Senegal e da República da Guiné.
Entre os destaques da programação musical nacional, estiveram presentes:

a) BALÉ FOLCLÓRICO DA BAHIA – BAHIA DE TODAS AS CORES
b) MAXIMO MANSUR (DF)
c) CESAR DE PAULA (DF)
d) SERGIO MAGALHÃES (DF)
e) ELLEN OLÉRIA (DF)
Grande em tudo. Assim é a cantora e compositora Ellen Oléria. Grande talento, grande voz, sorriso enorme.
“Ellen é vigorosa. Sua voz, estrela bailarina de várias escalas e matizes. Ellen já nasceu Rimbaud.
Nosso amado compositor Péricles Cavalcanti,desejava ser a Cássia Eller, eu desejo ser eu e sair de mim ao som da Ellen Oléria.
Ela é olé.
Ela é meteoro.
Ela é golfinho numa enseada grega voltando pra Angola...
Ela é a nova rainha africana do morro da música brasileira inventada por João Gilberto,
Caetano Veloso e Chico Science.
Evoé Ellen.
Saravá”.

Paulo Kauim

Apontada como um dos maiores expoentes do cenário musical brasiliense, com seus olhos arregalados e sorrisão aberto, Ellen Oléria esbanjou em voz e violão um swing impressionante, apresentando-se no palco 'Clementina de Jesus', no dia 7 de novembro.

Samba, samba funk, sambalanço e afoxés, muita música negra brasileira, aliados ao swing e ao carisma da cantora, contaminaram com a sua musicalidade e performance.
Não teve quem não se contagiou com a voz marcante que brincou com o ar, atravessou o invisível da Esplanada dos Ministérios e fez rachar qualquer tédio.

a) CONGO NYA (DF)

b) BABILAK BAH (MG)

O show Enxadário começou impressionando pela estética. Uma orquestra de enxadas invadiu o palco 'Clementina de Jesus' no dia 08 de novembro com o talento do paraibano Babilak Bah e, como se não bastasse,surpreendeu com uma intensa sonoridade fruto de uma rica pesquisa rítmica que agradou a todos os tipos de ouvidos.
Quem acompanhou a programação pôde conferir a influência dos emboladores de coco, dos repentistas nordestinos no trabalho do grupo.

a)PEU MEURRAY e OS PNEUMÁTICOS (BA)

A BAHIA FEZ-SE PRESENTE

Com tambores feitos com pneus de automóveis de passeio e caminhões, o músico misturou black music, samba e MPB, mostrando ao público novos ritmos e sonoridades. O resultado surpreendeu a todos que prestigiaram o evento no dia 8 de
novembro na Esplanada dos Ministérios.
b) MAMOUR BA (SENEGAL)
c) Fanta Konaté e Petit Mamady Keitá (REPUBLICA DA GUINÉ)
A cantora da República da Guiné Fanta Konatê e o percussionista Petit Mamady Keita trouxeram músicas tradicionais da etnia Malinkê (tronco lingüístico Mandinga), preservadas desde o séc. XIII – Império de Mali.
d) ATAQUE BELIZ (DF)
e) BETO BRITO (PARAÍBA)
f) NEGRA LI (SÃO PAULO)

Em suma, o CARA E CULTURA NEGRA 2008 apresentou os seguintes resultados :
Ofereceu, durante 15 dias, 2 oficinas de PERCUSSÃO com 18 horas|aula para 30 alunos cada, OFICINA DE PENTEADO com 50 horas|aula, Oficina de maquiagem com 16 horas|aula, 1 Oficina de Vestuário com 16 horas|aula e 1 Oficina de Acessórios, 20 horas|aula, PALESTRA a Influencia Africana na moda brasileira, 12 shows musicais, Exposição Internacional de Fotografia com a presença de 6 fotógrafos europeus, americanos e uma brasileira.

Lançamento de Livro, criação do CIRCUITO DE GASTRONOMIA . Aproximadamente 15 mil pessoas tiveram acesso de forma gratuita à cultura, 250 postos de emprego diretos, 1000 postos indiretos, quase 1 milhão de pessoas souberam, por meio da imprensa e dos materiais de divulgação, do evento. Cobertura em jornais de Brasília, Santa Catarina, Belo Horizonte, João Pessoa, São Paulo, Rio de Janeiro. A imagem de Brasília está veiculada nos principais sites do mundo por meio dos fotógrafos convidados.